terça-feira, 10 de novembro de 2015

Musculação e saúde cardiovascular, existe algum risco?

Musculação e saúde cardiovascular, existe algum risco?

Por razões que não me cabe aqui ficar discutindo, durante muito tempo a musculação foi tida como uma prática que tinha objetivos específicos, como estética e rendimento, mas não era muito interessante para a melhora da saúde em geral. Para esta finalidade, a grande maioria dos profissionais recomendava a utilização de exercícios aeróbicos.


Hoje, sabe-se que este é um erro grande, pois a musculação bem aplicada, de acordo com as individualidades de cada pessoa, pode ser uma prática com profundas implicações positivas sobre a saúde do praticante. Quanto a isso, já mostrei em diversos artigos anteriores aqui do Treino Mestre que temos um amplo respaldo científico.

Porém, uma dúvida que ainda permanece muito constante e que vez ou outra aparece em comentários e e-mails é sobre a questão da saúde cardiovascular. Será que a musculação tem efeitos positivos sobre ela? Será que apenas os exercícios aeróbicos é que irão ser efetivos na manutenção e melhora da saúde cardiovascular? É o que vou te explicar agora!

 Musculação e saúde cardiovascular, entenda o conceito

Parece algo simples, mas a questão cardiovascular é bastante complexa. Muito mais do que apenas o bom funcionamento do coração, temos uma série de outros fatores relacionados. Veias e artérias que cumprem seu papel, sem que haja aumento considerável da pressão sobre estes vasos, são outros fatores a serem considerados. Além disso, a eficiência no bombeamento de sangue e no retorno deste, é outro fator a ser considerado.

Não vou me aprofundar muito em termos técnicos, pois não é esta a intenção. Então vamos lá. Muita gente acha que o exercício aeróbico é o único que produz melhora na condição cardiovascular, porque ele estimula o aumento da frequência cardíaca e da circulação central e periférica. Com isso, tanto artérias como veias, se tornam mais eficientes em sua tarefa, o coração precisa fazer menos esforço para bombear o sangue e as trocas gasosas que ocorrem nos alvéolos. Tudo isso é verdade!
Mas e no caso da musculação, onde muitas vezes temos a obstrução parcial de vasos e aumento considerável da concentração sanguínea nos músculos treinados, será que tem efeitos positivos sobre a saúde cardiovascular?
 
Antes de te responder isso, vou citar um estudo bastante interessante! Em uma pesquisa de Santana (2015) foram avaliados os efeitos de 10 semanas de treinamento resistido sobre alguns fatores de riscos cardiovasculares em idosas. Para isso, participaram do estudo 10 mulheres, com idade média de 62 anos.

Todas elas foram submetidas a oito semanas de treino e estes foram realizados usando o método de Bi-set, alternando exercícios para membros inferiores e superiores.

Ao final das oito semanas, as idosas foram avaliadas, para verificar não apenas mudanças em sua composição corporal, mas em seu comportamento bioquímico.

Ao final do estudo, todas as idosas apresentaram melhora em sua composição corporal (redução de gordura e aumento da massa magra). Mas o que mais chamou a atenção foi o fato de o colesterol total terem diminuído mais de 12%. Se formos avaliar que não houve controle nutricional e este estudo lidou com apenas 10 semanas, este é sem sombra de dúvidas um achado a ser considerado. Além disso, houve redução do LDL e aumento do HDL. Outro ponto que apresentou melhoras foi o dos triglicerídeos. Ou seja, todos os componentes de risco cardiovascular foram melhorados com a prática de apenas 10 semanas de treinamento resistido.

Se formos tomar como parâmetro que neste estudo estamos falando de mulheres idosas, que já tem questões como perda de massa muscular e a questão hormonal é reduzida, pode-se acreditar que em outros públicos teremos resultados ainda mais efetivos!


Mas como é que a musculação melhora a questão cardiovascular?

Saúde cardiovascular, como a musculação pode ser uma forte aliada?

Como já mencionei, a questão cardiovascular é bastante complexa. Fatores dietéticos e de estilo de vida, além dos genéticos, influenciam diretamente. Desta maneira, a musculação tem atuação direta nisso tudo.

Primeiramente, a musculação melhora toda a questão contrátil dos vasos sanguíneos. Estes, durante o treino, podem aumentar ou diminuir seu calibre, dependendo da situação. Porém, no período regenerativo, estes mesmos vasos aumentam seu calibre, para que os músculos trabalhados recebam um aporte maior de sangue.

Além disso, o treinamento resistido tende a aumentar a vascularização muscular, para suprir a demanda por mais substratos energéticos. Com isso, a eficiência na circulação e na irrigação sanguínea aumenta consideravelmente.

Outro ponto a ser levado em conta é a redução de gordura corporal. Se a dieta for minimamente equilibrada, o corpo tende a usar mais gordura na recuperação do exercício, como já explicamos neste artigo sobre efeito compensatório (Efeito compensatório, entenda o que é e como ele influencia seus resultados). Além disso, este aumento da vascularização que a musculação causa, serve para dar um aporte energético maior aos músculos, o que afeta fortemente o metabolismo basal.

Desta maneira, todos os valores de risco de doenças cardiovasculares tendem a diminuir com a prática da musculação.

É logico que apenas fazer musculação e não cuidar na dieta e nos hábitos diários não vai ser a solução, mas pode ter certeza que esta é uma prática que contribui muito com a melhora da saúde cardiovascular.

Aliás, não temos fatores de risco que não sejam amenizados com o treino bem executado de musculação. Cada vez mais esta prática vem ganhando espaço como um componente de saúde, que traz inúmeros benefícios e menos riscos do que outras modalidades. Para isso, basta ter o acompanhamento correto! Bons treinos!



Fonte: Treino de Mestre

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