domingo, 23 de agosto de 2015

Efeitos de diferentes modelos de periodização sobre a hipertrofia


A periodização é muito importante para seus resultados na musculação. Veja neste artigo como diferentes modelos de periodização podem trazer resultados diferentes!

periodização sobre a hipertrofia treino musculação
 
A importância de uma boa periodização é algo evidente na musculação. Porém, existem diversos modelos diferentes (Tradicional, pendular, blocos, ondulatória, cargas seletivas e outros). Neste sentido, muitas vezes surgem dúvidas sobre qual o melhor modelo a ser usado. Não que existe um que é melhor ou pior do que o outro, afinal tudo vai depender das individualidades do praticante.

Mas como nunca devemos aceitar uma única resposta como sendo a correta, irei mostrar como diferentes modelos de periodização trazem resultados variados!

 Resultados diferentes oriundos de modelos de periodização distintos

Em um estudo de Spineeti (2013) foram avaliados os resultados de diferentes modelos de periodização sobre a força e espessura muscular, usando como referencia uma sequencia de exercícios de menores para maiores grupamentos musculares. Participaram deste estudo 20 homens destreinados, que foram divididos em grupo controle, periodização ondulatória e periodização linear (modelo clássico).

Este estudo durou 12 semanas e depois disso, todos os participantes foram avaliados. Os participantes submetidos a periodização ondulatória apresentaram melhores resultados em termos de força e de espessura muscular.

Para que você entenda corretamente o que é a periodização linear e a explicação para ela ter dado melhores resultados neste estudo, preciso aprofundar mais o assunto!

Periodização, modelos linear e ondulatório

Como já mencionei anteriormente, o modelo linear é baseado em mesociclos específicos (básico, específico e transitório), além de um aumento gradual da intensidade, enquanto reduzimos o volume.
 
Já no modelo ondulatório, temos como característica o trabalho misto, que engloba exercícios para o desenvolvimento de variáveis como a hipertrofia, força máxima e resistência muscular (Kraemer et al, 2000).
Desta maneira, temos na  periodização ondulatória uma variação do volume e intensidade durante todo o período.

Ou seja, na periodização ondulatória, não mantemos sempre o aumento da intensidade e redução do volume, como é utilizado no modelo linear. Desta forma, temos diferentes estímulos e um processo adaptativo mais intenso.

É um modelo bastante interessante para uma série de objetivos, porém, o modelo ondulatório apresenta algumas dificuldades e limitações.

Ele é de uma montagem bem mais complexa, já que temos que calcular as variações de intensidade e volume. Além disso, muitas pessoas não se adaptam a ele, pois o processo não é linear (em dados momentos, usa-se intensidades mais elevadas já no inicio do período). Além disso, é muito comum perdermos a especificidade da periodização e dos objetivos, já que trabalha-se com diferentes qualidades físicas ao mesmo tempo.

Mas então, qual o método mais adequado? Tudo vai depender de quem está treinando!
Eu particularmente vejo muitas vantagens no método ondulatório, desde que ele seja inserido no contexto correto. Da mesma maneira, um modelo linear (clássico), também apresenta inúmeras vantagens.

Antes de mostrar a você os casos onde o modelo linear e o ondulatório se enquadram de maneira mais adequada, deixe-me mostra porque o estudo acima apresentado apresenta algumas limitações.

Como foram usados modelos diferentes e as pessoas não eram treinadas, no modelo linear começou-se pelo período básico (o foco geral não é na hipertrofia). Já no ondulatório, foi possível variar os estímulos. Como foi um estudo de pouco tempo (12 semanas), o modelo linear impôs estímulos mais específicos para a hipertrofia. Isto explica em grande parte os resultados apresentados.

Veja agora onde se enquadram melhor cada tipo de periodização!
Modelos de periodização aplicados da maneira correta
Como já ficou claro, o modelo linear é de aplicação e prescrição mais facilitada. Além disso, ele tem um controle de cargas mais facilitado (já que os períodos e objetivos são definidos com mias clareza). Desta maneira, ele se enquadra muito bem em quem busca a hipertrofia no geral, sejam iniciantes ou avançados, ou em pessoas que buscam a melhora do desempenho para determinado período. Lembre-se que a  periodização não foi pensada e desenvolvida apenas para a musculação recreativa, mas sim para fins competitivos.

Desta maneira, o modelo linear se enquadra muito bem em praticamente todas as situações. Além disso, o modelo linear ainda pode ser aplicado ao emagrecimento.

Outra vantagem é que o modelo linear pode ser mais facilmente integrado ao planejamento alimentar, já que cada período é definido de maneira clara.

Por outro lado, o modelo ondulatório apresenta a vantagem de alternar estímulos, algo muito importante em determinados casos. Quem se encontra em um platô de desenvolvimento pode ter efeitos bastante interessantes ao usar o modelo ondulatório, já que as variações de cargas auxiliam na melhora das respostas adaptativas.

Além disso, é possível desenvolver de maneira mais acentuada algumas qualidades físicas. Este modelo (ondulatório) é amplamente usado em esportes, por permitir que o desenvolvimento físico seja mais acentuado, sem que haja perda de desempenho.

No caso do emagrecimento, o modelo ondulatório também é bastante interessante, pois promove uma alternância de estímulos, bastante adequada para este objetivo.

Mas então, qual escolher?
Novamente digo, depende quem é você! De uma maneira geral, o modelo linear se enquadra melhor a musculação, principalmente para as pessoas que não podem contar com um treinador acompanhando seus treinos sempre. Eu particularmente uso mais o modelo linear.

Por sua vez, o modelo ondulatório pode ser muito bom para quebras de platô ou para variar os estímulos.
No geral, o mais indicado é o acompanhamento de um bom profissional, pois ele vai saber de que maneira você pode se adequar melhor a cada tipo de periodização. Mas uma coisa fica clara, sem periodização adequada as suas necessidades, não espere resultados satisfatórios! Bons treinos!





Fonte: Rev Bras Med Esporte – Vol. 19, No 4 

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